quarta-feira, novembro 04, 2009

A Banda na História e na Cultura do Concelho de Machico



Trata-se de um livro simples e despretensioso mas que, por isso mesmo, cativa e prende o leitor.

Como Machiquense cada vez que tenho o prazer de ir a Machico sinto-me em casa e foi exactamente essa a sensação que tive a ler o livro: estava em casa!

Recomendo a leitura pois para um conhecimento mais profundo de muitos pormenores que eu, confesso, desconhecia. Trata-se de um excelente trabalho de investigação que importa salientar e divulgar.

Etiquetas: , ,

quarta-feira, julho 09, 2008

O Insensato



Extraordinário romance do argelino Morgan Sportès baseado na vida do espião Richard Sorge, um alemão que operava em Tóquio ao serviço da URSS.

Morgan Sportès transporta-nos para os anos da segunda-guerra mundial e coloca-nos no meio de uma teia de espionagem que, mesmo sendo romanceada, nos permite recordar a evolução do conflito do ponto de vista das várias potências envolvidas. A descrição da vida em Tóquio e das personangens é soberba.

Verdadeiramente surpreendente e altamente recomendado como leitura de férias...

Etiquetas:

sexta-feira, junho 27, 2008

Bissau em Chamas



Extremamente interessante este relato, da autoria dos Vice-Almirantes Alexandre Reis Rodrigues e Américo Silva Santos, sobre o golpe de estado de 1998 na Guiné-Bissau e a intervenção portuguesa neste conflito.

Numa altura que tanto mal se diz do que se faz em Portugal e da suposta mediocridade que reina neste nosso país este livro é certamente uma lufada de ar fresco.

Mostra como a diplomacia e as forças armadas portuguesas desempenharam com brilhantismo o seu papel: primeiro na retirada dos cidadãos portugueses de um cenário de guerra; depois na ajuda humanitária e por fim na potenciação de um cessar-fogo e posterior acordo de paz.

Importante também para perceber as movimentações políticas em África, nomeadamente a forma com a França tenta impôr a sua vontade neste continente.

Um excelente livro para estes tempos de férias!

Etiquetas:

quinta-feira, novembro 22, 2007

A Primeira Aldeia Global



Uma interessante abordagem feita por um autor estrangeiro, neste caso inglês, sobre a história de Portugal.

Descobri o livro por acaso mas revelou-se uma feliz coincidência, que me permitiu ter uma visão mais completa sobre temas que não são usualmente referidos quando se fala sobre a história do nosso país.

Gostei particularmente da parte sobre a formação de Portugal onde o escritor revela alguns pormenores que me eram desconhecidos.

Outro episódio interessante que desconhecia foi o que sucedeu logo após a independência de Espanha. Portugal para garantir o apoio de Inglaterra na defesa contra Espanha ofereceu Tânger e Bombaim, proposta que foi aceite pelos ingleses. O último recurso para fazer os ingleses aceitarem a proposta seria a entrega da Ilha da Madeira.

E mais não conto...

Etiquetas:

domingo, outubro 28, 2007

Como se faz o Poema


Para falarmos do meio de obter o poema,
a retórica não serve. Trata-se de uma coisa simples, que não
precisa de requintes nem de fórmulas. Apanha-se
uma flor, por exemplo, mas que não seja dessas flores que crescem
no meio do campo, nem das que se vendem nas lojas
ou nos mercados. É uma flor de sílabas, em que as
pétalas são as vogais, e o caule uma consoante. Põe-se
no jarro da estrofe, e deixa-se estar. Para que não morra,
basta um pedaço de primavera na água, que se vai
buscar à imaginação, quando está um dia de chuva,
ou se faz entrar pela janela, quando o ar fresco
da manhã enche o quarto de azul. Então,
a flor confunde-se com o poema, mas ainda não é
o poema. Para que ele nasça, a flor precisa
de encontrar cores mais naturais do que essas
que a natureza lhe deu. Podem ser as cores do teu
rosto – a sua brancura, quando o sol vem ter contigo,
ou o fundo dos teus olhos em que todas as cores
da vida se confundem, com o brilho da vida. Depois,
deito essas cores sobre a corola, e vejo-as descerem
para as folhas, como a seiva que corre pelos
veios invisíveis da alma. Posso, então, colher a flor,
e o que tenho na mão é este poema que
me deste.


Nuno Júdice

Etiquetas:

sábado, outubro 27, 2007

Rio das Flores




É este o título do novo romance de Miguel Sousa Tavares.

Confesso que sou bastante crítico de Miguel Sousa Tavares quando este surje na TVI no papel de comentador. As suas intervenções, na minha opinião, tendem a ser críticas meramente destrutivas e, não raras vezes, desprovidas de fundamento.

Contudo, após ter lido o seu romance Equador, fiquei agradavelmente surpreendido. Ao ponto de, ao saber do lançamento deste seu segundo romance, estar já a planear a sua aquisição.

Etiquetas:

domingo, outubro 21, 2007

Tattoo

My body is a palimpsest
under your hands,
a papyrus scroll
unfurled beneath you,
waiting for your mark.
I clean my skin,
scrape it back to
a pale parchment,
so that your touch
can sink as deep
as the tattooist’s ink,
and leave its tracery
over the erased lines
of other men.

You are all that’s
written on my body.


Nuala Ní Chonchúir

Etiquetas:

A Infância de Herberto Hélder

No princípio era a ilha
embora se diga
o Espírito de Deus
abraçava as águas

Nesse tempo
estendia-me na terra
para olhar as estrelas
e não pensava
que esses corpos de fogo
pudessem ser perigosos

Nesse tempo
marcava a latitude das estrelas
ordenando berlindes
sobre a erva

Não sabia que todo o poema
é um tumulto
que pode abalar
a ordem do universo agora
acredito

Eu era quase um anjo
e escrevia relatórios
precisos
acerca do silêncio

Nesse tempo
ainda era possível
encontrar Deus
pelos baldios

Isto foi antes
de aprender a álgebra

José Tolentino Mendonça

Etiquetas:

Calle Principe 25

Perdemos repentinamente
a profundidade dos campos
os enigmas singulares
a claridade que juramos
conservar

mas levamos anos
a esquecer alguém
que apenas nos olhou


José Tolentino Mendonça

Etiquetas:

José Tolentino Mendonça

Estava eu, nestas altas horas, a pesquisar a net sobre poesia, uma das minhas paixões mais mal tratadas quando me deparei, num dos sites que costumo percorrer, o Poetry International Web, com o meu conterrâneo e vizinho José Tolentino Mendonça na parte da página dedicada à poesia portuguesa.


Apesar de o conhecer melhor pelas brilhantes homilias na igreja matriz de Machico já em vários programas televisivos me tinha deparado com a sua faceta poética. Mas, não sei porquê e confesso aqui a minha falha (a qual merecerá concerteza a absolvição do Tolentino Mendonça, já na sua faceta de padre...), nunca tinha lido um poema seu!

Tendo reconhecido a falha li todos os que estavam disponíveis na página. Gostei.

Mas igualmente interessante foi esta análise sobre a sua poesia que aqui deixo para quem, como eu, tenha esta paixão ou esta insónia...

Etiquetas:

Quello che dell’amore resta

Molto era in quell’alba, in quell’albergo, nella carta
che mostrava l’acqua dura del muro e del soffitto.
Tutto, forse il senso del mondo
era nel singhiozzo di lei
con la nuca che batteva contro il letto
e nel gesto di lui
che le avvolgeva i seni nel lenzuolo.

Fuori cresceva il giorno
innaturale, come lo stelo di ferro della lampada
scosso a lungo con ira
quando il corpo dell’altro era più solo.


Antonella Anedda

Etiquetas:

quinta-feira, outubro 11, 2007

Top 10

Ao ler o blog de um amigo meu (Farpas da Madeira)deparei-me com um desafio: listar os 10 melhores livros que já li até hoje.

Quem me conhece sabe que adoro ler e embora ultimamente, uma vez mais devido a questões profissionais..., não o ter feito tanto como era costume é um hábito que não perco (e ainda bem).

Mas de facto escolher os 10 melhores é complicado...mesmo assim cá vai (não estão ordenados porque não consigo classificar um como melhor que o outro):

Os Miseráveis - Victor Hugo

As Aventuras de João Sem Medo - José Gomes Ferreira

O Macaco Nu - Desmond Morris

As Aventuras de Huckleberry Finn - Mark Twain

Roughing It - Mark Twain

This Side of Paradise - F. Scott Fitzgerald

A Criação do Mundo - Miguel Torga

Ensaio sobre a Cegueira - José Saramago

Dubliners - James Joyce

O Velho e o Mar - Ernest Hemingway


Não podia deixar de referir que todos estes autores têm mais de um livro que considero obras primas pelo que é quase um pecado referir apenas um título (no caso de Mark Twain não consegui mesmo...).

Julgo ainda que tão facilmente conseguiria referir outros 10 livros que me tenham dado imenso gozo a ler...Fica para uma próxima oportunidade.

Etiquetas:

sábado, maio 26, 2007

Verdade ao Amanhecer

O centenário do nascimento de Ernest Hemingway foi ocasião para o lançamento deste romance póstumo.

Aproveitei estes dias de férias para terminar a sua leitura. Não me posso considerar um fã incondicional de Hemingway mas não me posso deixar de sentir seduzido pelas magníficas descrições das paisagens e da vida em África.

Uma vida de aventura nas savanas africanas, caçando, apreciando as incríveis belezas naturais de África não pode senão exercer um enorme fascínio sobre o comum dos mortais e Hemingway transporta melhor que ninguém para o papel essa sensação e esse desejo de liberdade.

Ao ler este romance apercebe-se que o mesmo está impregnado por um sentimento de saudade: Hemingway adivinhava que a 'sua' África, tal como ele a conhecia e amava, tinhas os dias contados...

«Em África uma coisa é verdade ao amanhecer e mentira pelo meio-dia e não devemos respeitá-la mais do que ao maravilhoso e perfeito lago bordejado de ervas que se vê além da planície salgada crestada pelo sol. Atravessámos essa planície pela manhã e sabemos que tal lago não existe. Mas agora está lá e é absolutamente verdadeiro, belo e verosímel.»

Ernest Hemingway

Etiquetas: